A fecundação dos Odus.
“A Fecundação de Cada Odu”
A Mitologia,
oriunda de qualquer cultura no mundo, sempre cheia de simbolismo e magia,
colorido e imaginação, funciona para que o nosso inconsciente entenda as
mensagens do divino e consiga, também, perpetuar suas histórias por muitas
gerações. Deixo aqui, sem o fundo religioso do Candomblé, respeitando os seus
preceitos religiosos, uma pequena fagulha da Mitologia de fecundação de cada
Odú existente no universo incrível do Oráculo dos Orixás. Espero que possa entender os símbolos
embutidos em cada historieta contada abaixo. Boa leitura.
OKANRAN : Obatalá recebeu ordens de Olorum para criar um
ser chamado Iselé que iria viver na Terra.
O tempo foi passando e Iselé passou a sofrer de solidão. Obatalá se sentiu comovido pelo sofrimento do
ser que foi criado à sua imagem e semelhança e mandou uma ordem a Eborá para
que fosse morar com Iselé na Terra.
Eborá se revoltou, negando-se a obedecer a ordem de Obatalá. Como castigo, Obatalá enviou Eborá para as
profundezas quentes da Terra, isolando-o lá.
Eborá encontrou um minério chamado laterina e o alimentou com acaçá
vermelho. Desse feito nasceu Okanran,
filho do minério vermelho, do alimento vermelho e da revolta e desobediência de
Eborá.
EJIOKO : O Céu e a
Terra estavam em guerra, pois o mal vencera sobre as forças da luz. Olodumaré
decidiu se aconselhar com Orunmilá, já que o destino do Orún e do Ayiê estava
em suas mãos. O Ifá mostrou a
necessidade de uma oferenda para a ocasião e Olodumaré foi à Terra preparar a
oferenda: ( Na beira de um rio brando e limpo, sobre uma fazenda branca,
deveria-se oferecer um acaçá vermelho para Oxê e um acaçá branco para Ejionilê
com duas cabaças de água separando duas lanças de ferro ). Na manhã seguinte, Olodumaré foi visitar o
rio onde preparou a oferenda e encontrou um jovem que dizia se chamar Ejioko,
enviado pela magia de Orunmilá. Ejioko
surgiu para trazer pureza ao Céu e à Terra, exterminando a guerra. Ejioko é um Odú gerado sem pecado.
ETAOGUNDÁ : Para que esse Odú
nascesse, trazendo progresso para a Terra e caminhos novos para Iselé que lá
morava, uma oferenda foi feita na areia branca da praia. Lá se deitou um pano branco e, sobre ele,
três cabaças de água, três cavalos marinhos, três corvinas, três pedaços de
ferro, três cocos secos, três chaves de ferro, três acaçás vermelhos e outros
três brancos.
IROSSUM : Obatalá enviou uma ordem à Terra para que Iselé, através de uma oferenda, conseguisse harmonia com os eguns. Conseguiu Ossum raspando a casca da árvore vermelha, colocou em quatro cabaças nas pontas de quatro lanças de madeira, amarrando panos vermelhos em cada lança e quatro argolas de cobre. No dia seguinte, havia nascido o Odú Irossun, que para algumas facções vibra a madeira de Oxossi e, noutras facções, os mares de Yemanjá nos quatro cantos da Terra.
OXÊ : Para que o Odú Oxê nascesse, foram precisos cinco espelhos sobre um pano branco e virgem na beira de um rio com águas bem claras. Oxê trouxe Gimun, a mais velha das Oxums conhecidas. Assim os seres poderiam procriar e encher o Aiyê.
OBARÁ : Obatalá desejava que o Aiyê fosse farto e
muito rico, por isso, um bloco com seis lados, feito do ouro mais puro, foi
criado como oferenda, criando o Odú Obará , apontando riquezas para todos os
lados da Terra.
ODI :
A Terra não poderia oferecer meios para a dor existir. Por isso, usando uma oferenda de fecundação,
o Odú Odí nasceu, carregando para si as dores do mundo. Farofa feita com água, muita prata e muito
ouro, mais sete guizos dourados, imã e ferro.
EJIONILÊ
: O nascimento do Odú Ejionilê, aconteceu após um pedido de Olodumaré para
Iselé na Terra, para equilibrar todas as forças. Iselé deveria procurar um morro bem alto e
com grama verde e jovem. Lá, precisaria
colocar uma grande cabaça aos pés da mais bonita palmeira, mais oito acaçás
brancos, oito argolas de chumbo, oito pedras lisas e brancas e finalizar com
oito búzios graúdos e belos. Ejionilê nasceu já com um empregado, Kinaman, que
passou a sempre acompanhar o seu mestre.
OSSÁ
: Assim que o rei Olokun e sua esposa Ilakun vieram morar na
Terra, observaram que precisariam de um general para por ordem nos oceanos.
Olodumaré aconselhou os dois que, na beira da praia, colocassem um pano azul e
outro vermelho com uma estrela do mar sobre os dois. Nove lanças de ferro apontariam o céu e, ao
lado de cada lança, colocaram nove acaçás doces feitos com leite de coco.
Nasceu, então, o guerreiro Ossá montado num grande cavalo marinho.
EJIOFUN : O Céu
desejava que a Terra possuísse um ser de paz, vibrando bondade para todos os
cantos. Iselé então raspou efun, através
de uma peça de prata, sobre uma folha de caapeba, uma rocha de cristal, orvalho
e neblina da manhã. E tudo foi colocado sobre um monte de areia branca no topo
de um morro. Assim que o sol raiou, Ofun nascera para abrandar a acabar com a
guerra.
EJILAXEBARÁ: Oyó
passava por grande dificuldade e a fome assolava o seu povo. Um dos Obás de
Xangô descobriu, através do oráculo, que Olodumaré estava castigando o seu
reino pelos erros cometidos no passado.
Os doze Obás de Xangô se reuniram e fizeram uma oferenda para eliminar o
problema. Doze machados, um par de
chifre de carneiro, um pote com doze quiabos, doze pedras brancas, doze imãs,
doze argolas de cobre, doze favas de alibé e doze punhados de areia do mar,
tudo ao lado de uma grande fogueira.
Quando a fogueira apagou-se, o Odú Ejilaxebará apareceu, trazendo com
ele Araurem, um poderoso Xangô que não se cultua mais.
EJIOLOGBON
: Morava
numa lagoa de água doce, uma feiticeira poderosa, mas muito solitária. A
solidão fez com que ela usasse a sua magia para conseguir uma companhia. A Ya
Mi Ajé cobriu uma pedra que existia no meio da lagoa com panos vermelho e azul,
uma panela de barro, treze pinhas, treze pequenas cabaças, treze cabaças de
cobre, um obi, um orobô, treze bandeirolas brancas, treze caurís e treze imãs.
Ela cobriu tudo com palha da costa e aguardou o dia seguinte. Com os primeiros raios de sol, nascia o odú
Ejiologbon, trazia uma foice cortante como a morte, filho e companheiro da
feiticeira.
IKÁ :
Iselé
traiu Olodumaré, sentindo-se mais importante do que Deus. Olodumaré criou uma
cobra mágica, chamada Oroboros, representando os ciclos do cosmos, o ir e vir
das ondas, o Karma e Dharma, os altos e baixos. Iselé teve a sua ascensão, mas
o ciclo deu a sua volta, o homem na Terra decaiu. Oroboros desceu do céu e
engoliu Iselé.
OBEOGUNDÁ
:
Dois irmãos guerreavam entre si, esquecendo-se do amor da irmandade e dos laços
de sangue. A mãe clamou ajuda aos céus e
Olodumaré trouxe a solução. Com acaçás
brancos e amarelos, colocados como oferenda ao pé de uma montanha de minério de ferro, a mãe pediu paz. Nascia o Odú Obeogundá que gerou o primeiro
Ogum e dizimou a guerra entre os irmãos no Aiyê.
ALÁFIA : O Odú Aláfia
nasceu quando a primeira súplica , em forma de oração, foi feita a Olorun com o
coração cheio de fé.









